Em algum momento do dia, quase todo mundo repete a mesma frase: “Não tive tempo.”
Não tivemos tempo de responder uma mensagem com calma.
Não tivemos tempo de caminhar sem destino.
Não tivemos tempo de simplesmente não fazer nada.
A sensação é coletiva, constante e curiosamente paradoxal. Nunca tivemos tantas ferramentas para economizar tempo, e nunca nos sentimos tão atrasados em relação à própria vida.
O tempo, hoje, não passa. Ele corre.
E nós corremos atrás dele, acreditando que um dia vamos alcançá-lo.
Mas e se o problema não for a falta de tempo?
O tempo como medida de valor

Vivemos em uma lógica onde o tempo deixou de ser experiência e passou a ser moeda. Cada minuto precisa render algo: produtividade, retorno, visibilidade, resultado. Descansar virou concessão. Pausar, um luxo. Estar disponível, quase um dever.
Nesse cenário, o tempo não é vivido, ele é gasto.
E quanto mais tentamos “aproveitá-lo”, mais ele escapa.
Talvez por isso a sensação de urgência nunca vá embora. Não importa o quanto façamos, sempre parece insuficiente. Sempre existe algo pendente, algo atrasado, algo que ficou para depois.
A pressa que não leva a lugar nenhum
Curiosamente, essa pressa constante não nos faz chegar mais longe. Ela apenas nos faz passar mais rápido pelos dias, pelas pessoas e por nós mesmos.
Estamos presentes fisicamente, mas ausentes internamente.
Cumprimos horários, mas não habitamos os momentos.
O relógio anda. A agenda enche.
E a vida vai sendo empurrada para intervalos cada vez menores.
Talvez o tempo não esteja faltando
Talvez o tempo esteja exatamente onde sempre esteve.
O que falta é espaço.
Espaço mental.
Espaço emocional.
Espaço para existir sem finalidade imediata.
Quando tudo precisa ter um propósito claro, o simples ato de viver parece improdutivo. E, aos poucos, desaprendemos a estar no agora sem culpa.

Este não é um texto para ensinar a organizar melhor a rotina ou otimizar tarefas. É apenas um convite sutil para observar a própria relação com o tempo.
Perceber quando a pressa é real e quando é apenas hábito.
Reconhecer que nem todo momento precisa ser preenchido.
Aceitar que viver não é uma corrida, mesmo que o mundo insista em marcar largadas o tempo todo.
Talvez recuperar o tempo não seja sobre fazer mais.
Talvez seja sobre ficar.
Ficar um pouco mais em cada instante.
Ficar inteiro em vez de disponível.
Ficar presente, mesmo quando nada “produtivo” acontece.
Porque, no fim, o tempo não quer ser vencido.
Ele só quer ser vivido.
Até a próxima!





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