Em algum momento do dia, quase todo mundo repete a mesma frase: “Não tive tempo.”
Não tivemos tempo de responder uma mensagem com calma.
Não tivemos tempo de caminhar sem destino.
Não tivemos tempo de simplesmente não fazer nada.
A sensação é coletiva, constante e curiosamente paradoxal. Nunca tivemos tantas ferramentas para economizar tempo, e nunca nos sentimos tão atrasados em relação à própria vida.
O tempo, hoje, não passa. Ele corre.
E nós corremos atrás dele, acreditando que um dia vamos alcançá-lo.
Mas e se o problema não for a falta de tempo?
O tempo como medida de valor

Vivemos em uma lógica onde o tempo deixou de ser experiência e passou a ser moeda. Cada minuto precisa render algo: produtividade, retorno, visibilidade, resultado. Descansar virou concessão. Pausar, um luxo. Estar disponível, quase um dever.
Nesse cenário, o tempo não é vivido, ele é gasto.
E quanto mais tentamos “aproveitá-lo”, mais ele escapa.
Talvez por isso a sensação de urgência nunca vá embora. Não importa o quanto façamos, sempre parece insuficiente. Sempre existe algo pendente, algo atrasado, algo que ficou para depois.







