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Amy Winehouse: a morte mais anunciada do pop recente gera consternação

Londres - Possivelmente por descuido ou por desespero de algum produtor do canal 24 horas da BBC, a cantora britânica Michelle Gayle, cuja carreira entrou em estado de hibernação desde 1997, viu-se do outro da linha para falar sobre a conterrânea e colega de trabalho Amy Winehouse. Em meio ao festival de tributos de famosos e anônimos, foi de Gayle a frase mais apropriada para a notícia da morte da problemática diva soul britânica - ainda que num tom misturando tristeza e sobriedade.

- É uma tristeza, mas ninguém pode dizer que é algo inesperado.

O sentimento de que a partida prematura de Winehouse era muito mais uma questão de "quando" do que "se" era generalizado. O que ficou claro no tom das reações da mídia britânica ao anúncio de que a cantora havia sido encontrada morta em sua casa, no bairro de Camden Town, no norte de Londres, por volta das 16h locais - minutos após a confirmação do óbito, apresentadores de TV já liam textos que pareciam prontos há tempos.

De acordo com informações da polícia, paramédicos foram chamados por telefone para socorrer a cantora, mas disseram apenas ter encontrado uma jovem de 27 anos que se encontrava além de qualquer ajuda - depois, confirmou-se que se tratava da cantora. Um estado em que, na verdade ela já vinha se apresentando há pelo menos três anos, conforme o assédio dos setores mais sensacionalistas da mídia mostravam ou quem testemunhava apresentações trôpegas testemunhava.

A causa da morte de Winehouse só deverá ser revelada nos próximos dias - a autópsia está prevista para este domingo. Desde que "Back to black", seu segundo e último álbum, lançado em 2006, catapultou-a para o megaestrelato, Winehouse foi um outdoor ambulante para os efeitos de excessos químicos. A protagonista de uma novela que incluiu o relacionamento destrutivo com o agora ex-marido, Blake Civil-Felder, que supostamente viciou a cantora em crack.

Com apenas dois álbuns lançados, Winehouse deixa para trás uma carreira curta mas nem por isso desapreciada. No final da tarde deste sábado, fãs deixavam homenagens em frente à casa da cantora, que apesar da perseguição intensa dos paparazzi, nunca deixou de caminhar pelas ruas de Camden e mesmo de beber nos bares da região.

Houve espaço para também para críticas aos responsáveis pelo gerenciamento da carreira e da cantora, com atenção especial dispensada para a tentativa de retorno de Winehouse aos palcos depois de quase dois anos de aparições esporádicas e desastrosas.

- É um desperdício de talento, uma tristeza ver tanto potencial ir embora. Amy parecia estar vencendo a batalha contra seus vícios, mas essas lutas muitas vezes duram para sempre, e recaídas acontecem. Obviamente, ela não conseguiu retornar - afirmou Neil McCormick, crítico de música do jornal "Daily Telegraph", que recentemente assistira a uma sessão de gravações de Winehouse, um dueto com o cantor americano Tony Bennett.

Um trecho da rua onde Amy morava foi bloqueado para facilitar o trabalho da polícia. Fãs, jornalistas e moradores formaram uma pequena multidão na porta do apart-hotel. As especulações sobre uma provável overdose de drogas começaram ainda ontem, mas foram prudentemente descartadas pela polícia.

Os meios de comunicação logo foram tomados por mensagens de lamento pela tragédia. A gravadora Universal, que lançava os discos de Amy, disse, em uma declaração, que ela era uma "artista talentosa", e que "nossas orações vão para a família, os amigos e os fãs de Amy". O produtor Mark Ronson, responsável pelo disco "Back to black", disse que ontem era "um dos dias mais tristes de sua vida", e que a cantora era sua "alma gêmea musical" e "como uma irmã" para ele. Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones, dedicou a ela seu programa de rádio, na noite de ontem, e disse que também homenagearia a cantora em um show de sua outra banda, os Faces. "É muito triste perder uma amiga tão querida, com quem passei muitos bons momentos".


fonte:
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/07/23/amy-winehouse-morte-mais-anunciada-do-pop-recente-gera-consternacao-924967350.asp



dica: Binha Martins / Nós e outros Olhos

2 comentários:

  1. Não tem muito o que falar, a sensação que dá é de vida desperdiçada mesmo...
    E infelizmente mortes assim são cada vez mais 'corriqueiras', como se a valorização da vida, tivesse perdido a sua função essencial.
    Ontem, após saber da notícia da morte da Amy, postei no meu blog um poema da Cecília Meireles, de título 'Canção Póstuma'; minha pequena homenagem à essa mulher de voz forte, que não soube lidar com as suas inquietações e partiu 'cedo demais'.

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  2. Tem toda razão Lunna... e quem perde com isso é a música.

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