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No Dia do Ceramista, conheça 21 artistas que se destacam por sua criatividade

Moldando a visão artística e cultural de muitas sociedades, a Cerâmica (desde a descoberta do fogo) sempre fascinou o Ser Humano devido a sua grande funcionalidade e beleza. Símbolo de poder e de sofisticação, a Arte Cerâmica, assim como tudo nesta vida, evoluiu com o passar do tempo e a cada geração foi encontrando formas de se manifestar. Fazendo parte integral da nossa arquitetura, religiosidade, gastronomia, decoração, moda e de tudo mais que você possa definir como Arte, essa incrível e versátil "argila queimada", nos mostra claramente que este é um universo de infinitas possibilidades. E é mesmo!
Percorrendo o planeta desde a antiguidade, muitos artistas se aventuraram neste prazeroso ofício, deixando ao mundo uma marca praticamente eterna. Prova disso, são as obras do pintor Pablo Picasso, que além de ser conhecido por seus icônicos quadros, também teve o seu lado ceramista. Interessante né? E com a Cerâmica é assim, pois igual os monumentos de pedra que resistem ao passar das eras, a Cerâmica também carrega esse poder atemporal de viver.

Aqui no Brasil, só para você ter uma ideia, a cultura da cerâmica teve uma grande crescente nos últimos anos e hoje bons ceramistas vem ganhando espaço com os belos trabalhos que fazem. Criando peças para todos os gostos, esses artistas dos novos tempos nos encantam não só pela sua arte, mas por toda a sua ideologia de vida e pelo carisma que transmitem.
ceramista moldando argila
Hoje, 28 de Maio, não sei se você sabe, mas é Dia do Ceramista! E para nós aqui da Revista Nós e outros Olhos, é um dia muito especial, sabe porque? Porque é dia de prestigiarmos com grande respeito e admiração, todos os nossos parceiros ceramistas que fazem do ofício do barro, o seu ofício de vida, se não melhor, a sua paixão de vida.

Buscando então uma forma de homenagear esses grandes artistas e também em uma forma de te inspirar, hoje, com muito orgulho apresentamos 21 ceramistas mulheres, que para nós vem se destacando por toda a sua criatividade. Prontas para lhe ajudar naquilo que você precisar, vai por nós, as obras dessas renomadas artistas serão um grande diferencial tanto na sua casa, quanto no seu negócio. Bora conhecê-las?

Adriana Lopes
Atelier Adriana Lopes - Juiz de Fora/MG
Atelier Adriana Lopes em foto pb
Após ter o seu primeiro e encantador contato com a cerâmica (ainda na faculdade quando fazia um curso de artes), Adriana começou a buscar mais conhecimentos sobre o tema ao mesmo tempo em que seu atelier tomava forma. Após anos de buscas, aprendizados, parcerias e amizades, Adriana entende que seu processo criativo surge naturalmente através das ideias, observações, imagens que chegam de várias formas e o desejo de concretizar a sua Arte.
Tigela e prato de cerâmica
Especializada em Queima a gás, lenha, forno elétrico, raku, esmaltes de baixa e de alta, seja no design, nos utilitários, nos decorativos ou nos artisticos, Adriana está sempre buscando trabalhar com propostas variadas, não só para demonstrar a sua forte identidade envolta das técnicas que utiliza, mas para criar algo que nos proporcione um verdadeiro sentimento de bem-estar.   

"Tenho trabalhado muito a linha gastronômica, porém buscando agregar esmaltes e design diferenciados. Iniciamos este ano, ainda de forma tímida, em razão do momento atual, um projeto de cerâmica no vilarejo de São José dos Lopes, situado ao pé da serra de Ibitipoca, em Minas, com o objetivo de gerar trabalho, conhecimento e fomentar uma identidade de artesanato no local, que tem um ótimo potencial turístico." Adriana Lopes

Ana Elisa Gargione
Ateliê Toca do Tatu - Itatiba/SP
Ana Elisa Gargione em foto pb
Tendo seu primeiro encontro com a cerâmica em 2009 em uma aula em seu bairro, Ana logo de cara se apaixonou pela beleza e pelo bem-estar que esta arte lhe proporcionou. Para ela, foi uma sensação genuína de integração. De lá pra cá, Ana viu o seu processo criativo amadurecer e tomar lindas formas  ao ter como base de trabalho, a observação da natureza e todas as suas representações.
Conjunto de cerâmica
Dominando as técnicas da modelagem em torno, modelagem manual de placas, pinching, rolinhos,  baixo relevo e explorando dentro de si todas as possibilidades que o universo da cerâmica pode oferecer, Ana sempre inicia uma peça desenhando-a no papel (com suas cores, formas, relevos e tudo mais), desta forma, ela garante que o seu toque pessoal sempre estará presente no resultado final.

"Minha última exposição foi virtual no 1° seminário de cerâmica de Vinhedo na galeria Guza Amad, com a escultura encontro de almas. Com a retomada do ateliê em 2021, lancei pratos em baixo relevo inspirados nas folhas ao vento e rosas eternizadas para o dia das mães." Ana Elisa Gargione

Beth Shiroto Yen
Jandira/SP
Beth Shiroto Yen
Seguidora do estilo zen, onde a felicidade está na simplicidade junto a natureza, Beth desde 2007 encontrou na cerâmica a forma mais simples de se expressar. Encantada com o processo da transformação do barro em cerâmica, Beth enxerga que vivenciar cada momento desta jornada de possibilidades (que a argila oferece) e todo o universo que envolve o caminho do fazer e criar, são experiências únicas que só são vividas em cada trabalho. 
Pratos de cerâmica
Com um estilo oriental, moderno e de muita originalidade, as peças que a Beth faz são sempre ricas em detalhes, elevam a vibração do ambiente e fazem até os olhares mais críticos pararem um pouco para admirar. Sendo especialista em modelagem, placa e torno, além dos utilitários, ultimamente essa grande artista está desenvolvendo lindíssimas peças decorativas que literalmente dão vida a qualquer jardim.

"Faço parte do grupo de colaboradores voluntários CCBras- Cerâmica Contemporânea Brasileira há 10 anos. Nosso objetivo principal é divulgar os nomes de ceramistas de todo o país, promover a troca de experiências e conhecimentos através de exposições, seminários, eventos e projetos variados. Hoje somos mais de 1000 ceramistas cadastrados no site CCBRas." Beth Shiroto Yen

Cássia Lopes
Origem Ateliê - Belo Horizonte/MG
Cássia Lopes e Raquel Lopes em foto pb
Após passar por uma cirurgia limitante e um tanto traumática, a cerâmica foi como um bálsamo curativo que mudou a vida da ceramista Cássia Lopes literalmente da água para o vinho. Neste momento mágico, quando ela recebe pela primeira vez o barro em suas mãos, tudo fluiu tão naturalmente que em pouco tempo já era professora e estava ajudando (com essa arte) outras mulheres a superarem o tempo difícil em suas vidas.
Pires e Xícara de cerâmica azul
Atuando diariamente junto com sua filha Raquel Lopes, que inclusive também é ceramista, Cássia vê o torno como um grande aliado no trabalho, mas é na técnica da modelagem manual que ela encontra a sua verdadeira liberdade, deixando assim, suas mãos traçarem as linhas e as curvas das suas obras.

"Após ter muitas ideias, as escrevo e as desenho rapidamente. Nesse processo caótico e explosivo de pensamentos, gosto de imaginar também o sentimento que será transmitido por meio da minha arte, e sempre priorizo que o cliente se sinta querido e envolvido por afeto. Tendo a peça no papel, começo a desenhar e fazer maquetes. Se elas me agradam, moldo a argila, queimo, esmalto e queimo de novo... Quando fica pronto, procuro feedbacks e, para fins práticos, também analiso o que mais vende e as preferências dos meus clientes." Cássia Lopes

Cibele Nakamura
São Paulo/SP
Cibele Nakamura em foto pb
Atuando desde 2002, Cibele Nakamura já participou de diversos congressos nacionais, palestras e oficinas. Fazendo também parte ativa da comissão e do júri de Arte Craft - Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, Cibele vem trabalhando veemente em modelos de exposições como o "Metamorfose" e o "Vestir Cerâmica", valorizando não só a arte cerâmica brasileira, mas a essência do artista e de suas obras.
Prato, bow e colar de cerâmica
Especialista na construção de placas e marmorizado (mistura de argilas de várias cores), Cibele transfere para suas peças um ar abstrato, moderno e super contemporâneo. Produzindo mais esculturas, objetos decorativos e colares, essa artista de mão cheia só produz utilitários para ocasiões especiais, como por exemplo, as exposições temáticas "Vai um Cafezinho", "O prato é Seu" e "A Mesa".

"Uma amiga me convidou para fazer cerâmica nas Oficinas Culturais da Prefeitura de São Bernardo do Campo. De início eu recusei porque achava que não tinha jeito para trabalhos manuais, mas como ela insistiu muito, acabei indo. Realmente foi um pouco difícil, pois nunca havia feito trabalhos manuais, mas logo no primeiro semestre de aprendizado me apaixonei e após 2 anos de aprendizado, resolvi que minha profissão seria essa." Cibele Nakamura

Cleide Vieira
Atelier Cleide Vieira Cerâmica - Mairinque/SP
Cleide Vieira Cerâmica
Guerreira, talentosa e dona de um dom criativo sem fim, a ceramista Cleide Vieira iniciou a sua trajetória na cerâmica em 2002 quando ainda fazia faculdade de artes. Por conta da necessidade de dar corpo às suas inquietações, Cleide encontrou na cerâmica não só a válvula de escape para manifestar tais ideais, mas viu nesta arte, um verdadeiro caminho onde poderia trilhar com todo o seu coração.
Conjunto de Chá de cerâmica
Munida das mais variadas técnicas (modelagem manual, torno elétrico, placas, pinch...) e expert em queima primitiva, Cleide além de ser uma artista que se destaca por seu estilo exótico e original (principalmente na criação de utilitários, decorativos e esculturas), é também uma professora muito respeitada e admirada. Por isso, diversos alunos contam com o suporte dela para encarar com garra esta incrível jornada da cerâmica, seja para participar de alguma exposição, seja para dar os primeiros passos nesta nova profissão. 

"O meu trabalho consiste na produção de peças únicas, por isso são sempre modeladas manualmente ou em torno elétrico, nunca utilizo moldes para produção, colocando sempre um sentimento bom em cada peça manipulada. Produzo sob inspiração , esmero e muito carinho, pois amo o que faço. Paralelamente à produção cerâmica, ministro aulas livres no ateliê e no ensino formal, também mantenho um projeto social ensinando a arte cerâmica para crianças de escolas públicas na região em que vivo.Cleide Vieira

Cleo Bittencourt
Cleo Bittencourt Ceramic - Balneário Piçarras/SC
Cleo Bittencourt em foto pb
Simpática, criativa e atuando desde 2008 na área das artes plásticas, a ceramista Cleo Bittencourt (que manda muito bem quando o assunto são esculturas) tem um lado muito forte para as biojoias em cerâmica e sempre traz como essência principal de criação, a natureza exuberante do local onde vive. Detentora de uma linha autoral de colares, brincos, pulseiras e anéis, Cleo utiliza somente a argila proveniente da sua região e tudo, mas tudo mesmo, é sempre modelado calmamente e artesanalmente por suas próprias mãos.
Colar de cerâmica
Tendo a pintura com uma das suas maiores paixões, na cerâmica Cleo naturalmente manifesta a beleza do céu e do mar que é vista por seus olhos, mesclando assim, duas artes em uma só. O mais legal de tudo isso? São peças autênticas e ricas em conceito.

"Fui ter contato com a cerâmica durante as aulas na faculdade, até então as telas eram minhas paixões. Na cerâmica, busco sempre trabalhar com coleções e com a identidade cultural Balneário Piçarras/SC. Nas esculturas, utilizo a queima de Raku e técnica Chulucana, proveniente de Chulucana no Peru, onde se obtém o preto através do "esfumado", queima feita com folhas de manga." Cleo Bittencourt

Darly Pellegrini
Atelier Darly Pellegrini - Sousas, Campinas/SP
Darly Pellegrini em foto pb
Formada em artes pela École Nationale Supérieure d'Art et de Design na França e em pedagogia pela Unicamp, Darly Pellegrini desde os seus 2 anos de idade já brincava com a terra molhada fazendo comidinhas e bichinhos na casa dos seus avós. Devido a essa forte ligação com a terra, Darly cresceu, desenvolveu seus dons artísticos, se formou e hoje, além de ser uma pessoa muito querida por todos, é considerada (pela técnica paperclay) uma das grandes ceramistas da atualidade.
Flor de Cerâmica em Paper clay
Dividindo o seu tempo entre as aulas e workshops que acontecem em seu atelier e na plataforma Sou Cerâmica, Darly vê que todas as técnicas são ricas, ou seja, cada uma têm os seus próprios desafios e ensinamentos. Mas dentre todas, a modelagem manual é a que mais lhe encanta, pois trabalhar livre e dar forma ao volume presente na argila, é algo que realmente completa o seu estilo natural de viver.

"Na faculdade de artes meus melhores projetos foram em modelagem e meu trabalho de conclusão foi uma instalação com várias figuras humanas dispostas como cascas secas pelo chão de uma sala em L. Abria grandes placas em argila e com a ajuda de colegas envolvia parcialmente meu corpo. A argila tomava a forma que eu queria, mas também retraía e rachava. Quando saía daqueles “casulos”, ficava o envelope, a pele trocada de um animal que cresceu. Para mim aquela obra representava minha própria vida. Minha experiência e a frágil permeabilidade de nosso mundo interior frente às adversidades do mundo exterior." Darly Pellegrini

Eloisa Negrello
Eloisa Arte em Cerâmica - Curitiba/PR
Eloisa Negrello em foto pb
Formada em engenharia química, a ceramista Eloísa Negrello sempre teve uma quedinha pela arte cerâmica, mas foi somente em 2012, ao visitar uma feira em Curitiba/PR, que se apaixonou ainda mais ao ver as cerâmicas da artista Cibele Krukoski (in memoriam). Após algumas aulas com ela e com outra renomada ceramista da sua região (Risolete Bendlin), Eloisa nunca mais parou e hoje nos apresenta peças ricas em detalhes e de encantar os olhos.
Petisqueira de cerâmica
Trabalhando exclusivamente com placas e focada 100% na cerâmica utilitária, Eloisa procura se inspirar em suas mentoras, na internet e em tudo que vê para criar suas peças. Se destacando merecidamente pelo trabalho que faz e ganhando cada vez mais notoriedade por isso, Eloisa tem hoje algumas de suas peças em exposição em cidades como Lyon (França), Bassano dela Grappa (Itália), Vitória/ES e Curitiba/PR.

"A cerâmica é uma arte assim como a pintura, a escultura, a música, entre outras. Ofereço produtos exclusivos, elaborados manualmente e queimados em alta temperatura (1220 graus). Cada peça produzida é única!" Eloisa Negrello

Fátima Rosa
Santo André/SP
Fátima Rosa em foto pb
Com uma história simples, humilde e batalhadora como a de muitas pessoas, para a ceramista Fátima Rosa existem duas áreas (nas atividades artísticas) que são de sua preferência: a cerâmica e a têxtil. No caso da cerâmica, Fátima teve o seu primeiro contato em 1996 e desde então, mesmo com períodos de poucas produções (como no caso da pandemia que todos estamos vivendo), jamais parou.
Pratos quadrados de cerâmica
Após vários cursos e workshops de especialização, Fátima, que faz belos utilitários e decorativos, a partir de 2008 começou a participar de forma ativa de grupos de ceramistas, congressos, exposições e feiras ligadas à arte cerâmica. Em 2012, junto com a sua irmã Maria Aparecida Panichi (que também é ceramista), monta o seu tão sonhado atelier, iniciando ali, mais uma linda etapa na sua vida profissional.

"Participei de uma exposição individual na Galeria Malu Serra e de várias exposições coletivas ao longo deste trajeto. Atuo como voluntária no grupo CCBRas – Cerâmica Contemporânea Brasileira e na Comissão de Arte Craft do Bunkyo." Fátima Rosa

Flávia Pircher
Vinhedo/SP
Flávia Pircher em foto pb
Formada em pedagogia e em direito, a história da cerâmica na vida da ceramista Flávia Pircher teve o seu início há 19 anos de forma um tanto despretensiosa, pois o que era apenas para descontrair e relaxar (devido ao stress dessas profissões), acabou tomando uma proporção muito maior do que o esperado. Mas foi somente depois de se formar em artes visuais e midialogia pela Unicamp, que Flávia assumiu de vez o seu viés artístico e profissional, tornando-se assim, um dos maiores talentos do interior de São Paulo.
Conjunto de cerâmica com tampa
Dominando a placa, torno elétrico, torno manual, molde de gesso, acordelado e paleteado, Flávia já participou de inúmeras exposições, feiras e acredite, essa mulher não para de estudar. Só para você ter uma ideia, hoje além das aulas que ela ministra na plataforma Sou Cerâmica, no Ateliê Luciana Thomaz e no seu próprio canal do Youtube, Flávia está fazendo um interessante mestrado sobre impressão em cerâmica na USP sob a orientação de Norma Grinberg. Massa né!

"Meu trabalho em cerâmica não se preocupa em determinar se uma peça é utilitária ou decorativa, ela é uma peça cerâmica "SIMPLES ASSIM". Utilizo modelagem manual e torno elétrico. As queimas são em fornos elétrico ou a gás, em temperatura acerca de 1260 graus. Procuro utilizar engobes e vidrados que eu mesma formulo." Flávia Pircher

Gisela Pedroso
Gisela Pedroso Ateliê - São Paulo/SP
Gisela Pedroso em foto pb
Após trilhar profissionalmente por 20 anos na estrada da arquitetura, Gisela Pedroso foi descobrindo aos poucos o seu lado artista. Mas foi apenas há 2 anos, mais precisamente, que essa artista por natureza teve na cerâmica um caminho de novas descobertas. Mudando de profissão e assumindo de vez o seu lado artista, Gisela mesmo sendo ainda tão nova neste universo do barro, nos mostra uma grande criatividade nas artes que faz, seja no utilitário, no decorativo e até mesmo na moda.
Tigela e copos de cerâmica
Para fazer uma peça, como uma boa arquiteta, Gisela geralmente faz alguns croquis preliminares, para somente assim, dar forma naquilo que imaginou. Nesse processo da modelagem manual, Gisela nos fala que a argila vai mostrando de forma natural qual o melhor caminho a ser seguido, ou seja, aquele onde as formas fluem como tem de ser.

"Este ano estou me dedicando à linha Flores, que remete às flores que eu modelava ainda na infância com massa de biscuit. Elas revelam a delicadeza e inocência infantil junto com a potência feminina que a flor tem, assim como os adornos das roupas das dançarinas de flamenco, dança que já foi muito presente na minha família." Gisela Pedroso

Gisele Almeida
Barro Blue Cerâmica - Londrina/PR
Gisele Almeida em foto pb
Diferente dos decorativos e utilitários (carro chefe da maioria dos ceramistas), a ceramista Gisele Almeida é uma artista que se destaca pelos acessórios funcionais e terapêuticos que desenvolve. Tendo como base a alquimia da aromaterapia, seus Pingentes Difusores promovem um grande bem-estar para a pessoa que o usa. Formada em Artes Visuais pela UEL - Universidade Estadual de Londrina, Gisele fala que após um longo hiato entre o término da faculdade e a sua necessidade de voltar a ter as mãos no barro, surgiu a marca de pingentes difusores para óleos essenciais em 2014.
Colar Difusor de cerâmica
Trabalhando com cerâmica de baixa e alta temperatura, modelagem, acabamento, pintura e todo o processo que envolve a criação de uma peça, para Gisele, produzir "peças miúdas" jamais irão diminuir a complexidade deste ato mágico, pelo contrário, as vezes, uma pequena dessas tem um poder tão grande que você nem imagina. 

"Minha maior fonte de inspiração são as plantas aromáticas e seus óleos essenciais. As formas orgânicas da natureza sempre se apresentam diante dos meus olhos como um design extremamente sofisticado. A união destas formas simples e complexas da natureza com minha paixão por azulejaria e bibelôs de porcelana definem meu trabalho como um resgate desta delicadeza, convidando a inalar aromas naturais em meio a um mundo repleto de aromas sintéticos e artificiais." Gisele Almeida

Lica Cruz
Oficina Lica Cruz - Carapicuíba/SP
Lica Cruz em foto pb
Assim, meio que por acaso, Lica Cruz se depara com um anúncio de jornal envolvendo aulas de cerâmica com Célia Cymbalista. Sem nenhuma pretensão e tendo essa nova atividade apenas como um hobby, Lica logo de cara foi fisgada pelo maravilhoso universo da cerâmica e nunca mais deixou o barro de lado. Desenvolvendo um trabalho bem orgânico e cheio de estilo, essa incrível ceramista (que já esta na estrada há mais de 10 anos) percebe que mexer com a argila vai muito além do que simplesmente transformar algo, e sim, colocar no tridimensional um projeto que materializa toda a sua essência. 
Conjunto oriental de cerâmica para chá
Para desenvolver suas peças, seja decorativos ou utilitários, Lica normalmente inicia pela modelagem manual, placas ou torno. Depois da primeira queima à 800º, vêm a esmaltação e logo após a secagem, a queima final em forno a gás à 1280º. Como a maior parte das suas queimas são em redução, suas peças sempre trazem pequenas nuances no esmalte, dando assim, um toque pessoal para cada cliente que atende.

"Irei fazer uma Exposição Solo de Arte Contemporânea na Galeria Subsolo Laboratório de Arte em Campinas onde participo com Esculturas. A Abertura será virtual e contará com uma Live no dia 28 de Maio às 19:00 pelo Instagram. As visitas poderão ser agendadas diretamente pela Galeria. Também irei ter uma Exposição Solo na Galeria Malu Serra no próximo mês de Outubro com o mesmo formato." Lica Cruz

Lica Parreira
Ateliê Lica Parreira - Tambaú/SP
Lica Parreira em foto pb
Crescida em meio a uma olaria, local onde os primeiros contatos com a argila se deram, Lica Parreira desde pequena já havia despertado em si a paixão em transformar argila em objetos. Autodidata, delicada, criativa e paciente, Lica além de ser uma grande referência na sua região, trabalha atualmente desenvolvendo esculturas, modelagens diversas, decorativos e utilitários.
Prato e porta-velas de cerâmica
Atuando profissionalmente desde 1996 criando peças em mosaico, Lica só conseguiu trocar de vez as pastilhas pela argila em 2006, que foi o momento que começou a modelar pequenas noivas. Já em 2007, com seu trabalho mais consolidado, Lica cria a sua identidade através das flores, pois foi justamente através da materialização delas, que essa grande ceramista conseguiu expressar todo o potencial da sua arte.

"Crio de forma espontânea, transferindo à argila minhas emoções e inspirações. Através das flores e movimentos sinuosos, realizo quadros, mandalas, cachos de flores, pingentes e porta velas. Escultura de mulheres vestidas de noiva e pássaros, também são minhas paixões." Lica Parreira

Lili Barros
Lili Barros Cerâmica e Arte - Vargem Grande/RJ
Lili Barros em foto pb
Oferecendo produtos com as marcas das mãos, com a energia do corpo e com a beleza da alma, Lili Barros é uma artista que transmite claramente a essência indígena (transmitida por sua bisavó - índia e também ceramista) em todas as peças que faz. Buscando ativar a memória afetiva das pessoas que adquirem suas peças, Lili se preocupa em fazer tudo com muitos detalhes, nada minimalista, por isso, quando ela começa uma peça, logo vem a ideia de uma cordinha ali, outra trança aí, uma folhinha em cima e voilá, quando examina a peça pronta, seu reflexo está lá.
Cactos de cerâmica em forma de luminária
Especialista em placas, acordelado e mandando muito bem no torno, a sua verdadeira vocação está nos trançados, transferindo assim, a cestaria e o tear para a cerâmica. E isso, isso sim, a faz perder a total noção do tempo, rs. Como o seu ateliê é uma escola, atualmente Lili está participando do Circuito das Vargens, que devido a pandemia, está sendo totalmente online. Vale a pena conferir!

"Primeira peça pronta, o professor diz: "-Assina. -hã?! -Assina o seu nome. Qual é o seu nome? -Ah! Elinete. -Elinete não é nome de artista. Não tem um apelido? - sim! Lili! Meus alunos me chamam tia Lili! -Bom, mas vai depender do sobrenome. Qual o seu sobrenome? -Carvalho. -Não pode . Arranja outro. " Aí tive que tomar o Barros emprestado do atual marido. rs." Lili Barros

Maria Aparecida Ivanov - Cida
Ateliê Cerâmica do São Francisco - São Sebastião/SP
Maria Aparecida Ivanov em foto pb
Em 2001, Maria Aparecida (Cida) acabou conhecendo a cerâmica em um projeto do Sebrae chamado "Arte que Vale". Tendo o objetivo de descobrir Mestres (de culturas artesanais) que, já idosos não haviam deixado o seu legado, Cida fez neste projeto um curso de cooperativismo com Dona Adélia Barsotti, uma grande mestra paneleira do Bairro São Francisco em São Sebastião/SP e renascente de um grupo de paneleiras em 1906. Hoje, só para você ter uma ideia, Cida é a mulher que representa a força de todas essas mulheres que trouxeram a cultura indígena até os nossos dias.
Tigela com tampa e prato de cerâmica
Além de todo esse legado, que inclusive está sendo passado adiante, a política do desuso do plástico para embalagem é praticada por Cida desde a idealização do ateliê. Ali só são utilizados papel craft e muito pouco jornal (por causa do chumbo da impressão), caixas de papelão e sacolas retornáveis como incentivo aos seus clientes. O Planeta agradece!

"O Ateliê Cerâmica do São Francisco foi criado a partir da necessidade de preservação do Patrimônio Imaterial de São Sebastião através da cerâmica do São Francisco. A escolha do nome, bem como a localização do Ateliê (Bairro São Francisco da Praia) se deu ao fato de que a cerâmica é produzida neste bairro desde os habitantes naturais : Índios tupiniquins." Maria Aparecida Ivanov - Cida

Nalu Back Camargo
Ateliê de Cerâmica Casa de Barro - Curitiba/PR
Nalu Back Camargo em foto pb
Inspirada pelo trabalho da ceramista Cibele Krukoski (in memoriam) e no habitat natural do irreverente pássaro João de Barro, Nalu Back Camargo teve o seu início nas artes cerâmicas em 2001 quando procurava novas ideias, formas e materiais na Feira da Ordem em Curitiba/PR. Hoje, com mais de 20 anos de experiência, fora as aulas que ministra em seu ateliê (Modelagem e Esmaltação, Impressão, Boll, Stencil com engobe, Esgrafitar, Desenho livre, Corda Seca e Vidro), Nalu oferece peças para lavabo, utilitários de alto padrão, conjuntos de chás, acessórios e decorativos. Se aventurando na cozinha, essa cozinheira de mão cheia ainda prepara diversos kits envolvendo cerâmica e gastronomia.
Pássaro decorativo de cerâmica
Carinho, reconhecimento, honra e valorização, são conceitos que acompanham essa artista diariamente, seja na sua casa, no ateliê ou em qualquer lugar. Para Nalu, a modelagem também tem este lado terapêutico, pois para ela, lhe dá a possibilidade de escolher como vai prosseguir naquilo que vier a fazer. Que a gratidão flua e que o amor sempre fique!

"Meu estilo de trabalho é totalmente intuitivo. Começo o meu trabalho ouvindo textos bíblicos, louvores, o som da natureza... Aí eu mergulho na liberdade!" Nalu Back Camargo

Paula Sousa
Paula Sousa Ateliê de Cerâmica - Osasco/SP
Paula Sousa em foto pb
Fisioterapeuta de formação e com o dom da cura fluindo há mais de 23 anos pelas suas mãos, Paula Sousa começou na cerâmica de forma bem despretensiosa quando decidiu aprender o ofício em um ano sabático que estava vivendo. Conhecendo a importância da respiração e da postura, logo de cara se familiarizou com a argila/torno e isso mudou o rumo da sua vida completamente. 
Xadrez de cerâmica
Seja nos decorativos ou nos utilitários, devido a grande sofisticação encontrada em suas peças, Paula em pouco tempo ganhou espaço entre os gigantes da cerâmica do Brasil e tem peças assinadas em restaurantes exclusivos como o vegano Cajuí, Panda, Selina (hotel boutique presente em São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro), para a marca e geleias La Ferme e outros mais.

"Minha intimidade com o processo de criação na cerâmica e domínio das diferentes argilas e seus também diferentes resultados (nem sempre positivos rsrs), me renderam bons frutos, entre eles, parcerias com restaurantes, hotéis, chefs de cozinha e arquitetos. O que mais gosto de desenvolver são projetos especiais para pessoas, famílias e empresas, dando um toque de personalidade e exclusividade a peça e a marca” Paula Sousa

Raquel Klepacz
Rakel Atelier - São Paulo/SP
Raquel Klepacz em foto pb
Direta, objetiva, detentora de grande conhecimento e respeitada por todos os ceramistas que conhecemos, Raquel Klepacz é uma ceramista que encontrou na cerâmica uma maneira não só de se expressar, mas uma oportunidade de mudar de profissão devido a toxidade da sua antiga área (serigrafia). Formada em artes plásticas, primeiramente Raquel passou a usar a argila como escultura, como caricatura, em vasos exóticos e ousando do talento, em construções grandes em piece pot (vasos bem grandes).
Pratos rústicos em formato de tijolo
Buscando ampliar ainda mais o seu repertório de atividades, em 2008 Raquel parte para os utilitários (muitos deles são bem exóticos por sinal) e hoje, após ser uma consolidada ceramista, administra um Espaço Colaborativo chamado Fábrica Ateliê em São Paulo/SP. Nele, Raquel ministra suas aulas, faz sua produção e por ser um espaço munido de diversos equipamentos, matérias primas e ferramentas especializadas, auxilia todas as pessoas que estão começando e que ainda não tem um ateliê próprio.

"O interessante é que o que me inspira muitas vezes é a comida que vai ser servida naquele prato, as cores do alimento realçadas pelo prato e o próprio alimento que valoriza o objeto criado. Muitas vezes ele não é só um prato, mas um suporte fundamental para a apresentação da comida.” Raquel Klepacz

Renata Amaral
Cerâmica Re Amaral - Carapicuíba/SP
Renata Amaral em foto pb
Renata Amaral... Um carinho enorme por essa pessoa! Iluminada por natureza, amante dos felinos, de boa conversa e claro, super ceramista. Renata sempre está presente nos melhores eventos do meio cerâmico e sempre nos surpreende com seu trabalho. Tendo consigo uma foto segurando um pacote de massinha quando tinha apenas 3 anos de idade, é como se a argila já fizesse parte do seu pulsar antes mesmo de nascer. E olha que ela só começou a se profissionalizar na cerâmica após abandonar a carreira do mundo corporativo.
Bule e copos de cerâmica
Sem seguir as vezes um planejamento, mas deixando o seu lado artístico fluir naturalmente, Renata costuma dizer que a inspiração vem da alma e o barro traduz, por isso, a espontaneidade do seu traço e do seu gesto, são partes expressivas que se refletem em todas as suas obras, seja no utilitário, no decorativo ou em tudo aquilo que você possa imaginar.

"A cerâmica é uma ciência. Exige tempo, pesquisa e muito estudo. Todos os processos me encantam, mas em especial, adoro fazer peças utilizando “cobrinhas” de barro. No meu trabalho venho explorando o “confinamento” que temos vivido onde abordo nossos “Horizontes” sem deixar de lado os refugiados, um tema social que precisa ser visto e revisto, onde retrato pessoas corajosas que buscam uma vida digna longe de suas terras natais." Renata Amaral
Sabe... Conhecendo um pouco sobre a história de cada ceramista que hoje aqui se fez presente, podemos ver claramente que moldar peças vívidas, se envolver integralmente em cada projeto e transmitir para o seu trabalho parte vital da sua própria energia, definitivamente não é para qualquer um. Por isso, para todos os ceramistas desse imenso Brasil, nós tiramos o nosso chapéu e os saudamos com todas as honras possíveis.

Um Feliz e próspero dia queridos!
Que a chama da inspiração esteja sempre presente em vossas vidas!

Conheça o trabalho de cada ceramista 👍
Redirecionamento para "Instagram" ao clicar nas imagens
Ana Elisa Gargione



Revista Nós e outros Olhos
Créditos de Conteúdo e Fotografia:

Foto Gisele Almeida / Barro Blue Cerâmica: Caroliny Frizo
Fotos ceramistas: Acervo pessoal de cada um
Foto capa: Ambir Tolang
Foto contra capa: 
Ritesh photograph
Foto final: Pexels

No cenário:
Ornato k. com Guardanapo Marrom
Ateliê Patrícia Mira com Guardanapos Claros

2 comentários:

  1. Maravilhoso artigo... cada vez mais encantada com a sensibilidade e o profissionalismo de vocês! 👏👏👏
    Gratidão!!!

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  2. BELOS TRABALHOS, MAS SOMENTE UTILITARIOS???? ESQUECERAM BRENNAND, APENAS DE TER MORRIDO ANO PASSADO, SUAS OBRAS ESTÃO AÍ. E AS OBRAS DE ESCULTURAS?? TA COMO ANÔNIMO, MAS GERALDO FALCAO.

    ResponderExcluir

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