Existem muitas maneiras de conhecer uma Cachaça. Podemos observar sua cor contra a luz, aproximar o copo lentamente do nariz, perceber a cana, a madeira, as frutas, as especiarias e tantas outras nuances que aparecem durante a degustação. Podemos conhecer o alambique onde ela nasceu, as pessoas que cuidam de sua produção e o lugar que existe por trás de cada garrafa. Mas também podemos descobrir tudo isso de uma maneira diferente: criando algo a partir dela.
E é justamente desse exercício criativo, que nasce a nossa nova seleção de drinks autorais feitos com Cachaças.

Para esta edição, partimos de uma regra simples: antes de pensar no drink, devemos conhecer a Cachaça que será utilizada, bem como sua origem, seu processo, seu tempo de descanso ou envelhecimento, as madeiras utilizadas, seus aromas, sabores e, principalmente, aquilo que a torna diferente das demais. Somente depois disso entram frutas, folhas, chás, raízes, especiarias, meles, licores, amargos e outros ingredientes capazes de ampliar algumas dessas características ou criar contrastes interessantes ao redor delas.
Isso significa que nenhuma receita desta seleção foi pensada para receber qualquer Cachaça. É justamente o contrário. Cada drink nasceu para a garrafa que ocupa o centro de sua receita.
E quando percorremos o Brasil através dessas garrafas, as possibilidades se multiplicam. Encontramos cachaças cristalinas preservadas em inox, outras transformadas pelo breve contato com madeiras brasileiras e algumas que atravessaram muitos anos dentro de barris antes de chegar ao copo. Há Amburana, Bálsamo, Jequitibá, Carvalho e encontros entre diferentes madeiras. Há pequenos produtores, projetos familiares, alambiques que atravessam gerações e destilarias mais jovens dispostas a experimentar novos caminhos.
Essa diversidade também nos permitiu ir além das combinações mais conhecidas. Ao longo das receitas, ingredientes brasileiros dividem espaço com diferentes técnicas e referências da coquetelaria, ora aproximando sabores, ora colocando elementos aparentemente distantes frente a frente. Em alguns drinks, a construção é fresca e direta. Em outros, pede um gole mais lento. Há receitas frutadas, herbais, florais, amargas, tostadas, efervescentes e outras difíceis de colocar em uma única categoria.
Mas existe algo que permanece igual em todas elas: a Cachaça nunca deixa de ser protagonista.
Porque criar um bom drink com Cachaça brasileira também é uma maneira de olhar com atenção para aquilo que existe dentro da garrafa. Para a cana, o território, as madeiras, o conhecimento de quem produz e o tempo necessário para que cada bebida encontre sua própria expressão.
Portanto, não espere apenas receitas. Aqui há muitas histórias sendo servidas junto com elas!
Envolva-se!
Acima da Serra
Fruta, folha e raiz entre a terra e o céu da Chapada
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Vivo, verde e de perfume aberto, o drink Acima da Serra traz a sensação de uma paisagem tocada pelo vento, quando os aromas da vegetação parecem subir da terra e ocupar o ar. Na boca, começa fresco e levemente ácido, ganha uma textura macia e frutada no centro e segue por um caminho mais herbal, até terminar seco, com um calor terroso que aparece brevemente antes de deixar a cana retornar ao paladar. No centro desta receita está a Cachaça Serra das Almas Prata, armazenada por dois anos em tonéis de inox, período que preserva sua transparência e seu perfil leve sem acrescentar a interferência aromática das madeiras. Para completar, o Kiwi traz acidez e uma expressão verde da fruta, a Erva-Doce acrescenta um perfume herbal delicado e a Cúrcuma deixa uma passagem quente e terrosa no final.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Serra das Almas Prata
1/2 Kiwi fresco
15ml de infusão concentrada de Erva-Doce (fria)
7,5ml de suco de Limão Taiti
5ml de xarope de Cúrcuma
Método: Batido
Guarnição: Lâminas de Kiwi e talo de Erva-doce
Copo: Longo
Gelo: Cubos
Preparo:
Macere suavemente o kiwi na coqueteleira. Acrescente a cachaça, a infusão de erva-doce, o limão taiti, o xarope de Cúrcuma e gelo. Bata brevemente e faça dupla coagem para um copo longo com gelo. Finalize com gelo triturado, lâminas de kiwi e talo de erva-doce.
Cachaça destaque:
Prata / 2 anos
Cachaça Serra das Almas - Rio de Contas/BA
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Produzida na Chapada Diamantina, a mais de 1.200 metros de altitude, a Cachaça Serra das Almas começou sua trajetória regularizada em 1998, quando Marcos Vaccaro decidiu transformar uma produção artesanal já existente na propriedade em um projeto capaz de levar a cachaça do Vale do Rio de Contas para outros mercados. O nome vem da própria geografia que cerca a fazenda, a Serra das Almas e seu conhecido Pico das Almas, aproximando desde o início bebida e território. Em 2002, a Serra das Almas tornou-se a primeira cachaça brasileira com certificação orgânica, condição mantida até 2025, enquanto a Fazenda Vaccaro também desenvolveu trabalhos ligados à fruticultura, pesquisa, responsabilidade ambiental e parcerias com agricultores da região. A relação com a Chapada ultrapassa a produção e chega ao turismo rural, recuperando a história de Rio de Contas e sua formação ligada ao ciclo do ouro no interior baiano.
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Água Funda
Onde o tempo desce devagar e deixa suas marcas
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Escuro, profundo e de calor persistente, o drink Água Funda convida a um gole mais lento, daqueles que começam silenciosos e permanecem na boca muito depois de a taça voltar à mesa. Primeiro chegam os aromas tostados, seguidos por um dulçor discreto e uma passagem terrosa, até que o paladar encontra um final seco, amargo e prolongado. No centro desta receita está a Cachaça Poço da Pedra Bálsamo, com 42% de graduação alcoólica e oito anos em uma das madeiras brasileiras de assinatura mais intensa, que lhe entrega corpo, baixa acidez e notas que passeiam por amêndoas, erva-doce e baunilha. Para completar, o Café acrescenta torra e profundidade, o Mel de Cipó Uva arredonda o gole e o Bitter de Laranja traz um pequeno contraste aromático.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Poço da Pedra Bálsamo 8 anos
15ml de Café concentrado e frio
15ml de Mel de Cipó Uva
2 dashes de Bitter de Laranja
Método: Batido
Guarnição: Grãos de Café
Copo: Baixo
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em um mixing glass com gelo e misture até resfriar. Coe para um copo baixo com cubos de gelo e finalize com grãos de café.
Cachaça destaque:
Bálsamo / 8 anos
Cachaça Poço da Pedra - Caculé/BA
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A história da Cachaça Poço da Pedra começou em 1982 na Fazenda Barriguda, em Caculé/BA, com Rubem, Siloivo e Raul Brito cultivando cana e produzindo cachaça artesanal. Por volta de 2000, Cleuza e Zenildo Brito assumiram a fazenda, organizaram e padronizaram a produção, implantaram as normas técnicas exigidas pelo Ministério da Agricultura e registraram a marca. O nome nasceu da própria paisagem: a retirada de grandes pedras de granito da propriedade para a construção de uma barragem deixou uma cavidade que se encheu com as chuvas e nunca mais secou, formando um poço cercado por paredões de pedra. Em 2012, Valdir Saraiva e Luciano Melo adquiriram a Fazenda Barriguda e deram início a uma nova etapa, buscando ampliar a presença da cachaça produzida em Caculé pelo país. Hoje, a casa trabalha com diferentes expressões em Inox, Jequitibá Rosa, Umburana, Bálsamo e acumula reconhecimentos em concursos nacionais e internacionais.
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Barro e Brisa
Entre o calor da terra e o frescor que atravessa as Serras Gerais
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Dourado, aromático e cheio de movimento, o drink Barro e Brisa traz a sensação do calor que permanece na terra quando o dia começa a perder força e uma corrente de ar finalmente atravessa a paisagem. Na boca, a fruta chega fresca e suculenta, ganha uma textura macia e logo encontra uma camada leve e aerada, deixando o final cítrico e perfumado. No centro desta receita está a Cachaça Palmeira Amburana Edição Especial, marcada pela passagem na madeira que acrescenta calor e especiarias sem retirar a maciez do destilado. Para completar, o Abacaxi ganha intensidade entre o suco e o licor, enquanto o xarope simples arredonda o conjunto, o Limão Taiti traz frescor e a espuma natural de Abacaxi acrescenta uma textura leve ao final da bebida.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Palmeira Amburana
50ml de suco fresco de Abacaxi
10ml de Licor de Abacaxi
10ml de xarope simples de Açúcar
7,5ml de suco fresco de Limão Taiti
4 colheres de espuma natural de Abacaxi
Método: Batido e completado
Guarnição: 2 talos da Coroa de Abacaxi
Copo: Longo
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione a cachaça, o suco de abacaxi, o licor, o xarope e o limão em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Coe para um copo longo com gelo e complete com a espuma natural de abacaxi. Finalize com dois talos da coroa de abacaxi.
Cachaça destaque:
Amburana / Edição Especial
Cachaça Palmeira - Combinado/TO
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Produzida em Combinado, no sudeste do Tocantins, a Cachaça Palmeira carrega uma história familiar profundamente ligada às Serras Gerais e aos canaviais cultivados nas terras do Sítio Rio Palma. Seu percurso na região atravessa mais de meio século e permanece nas mãos de Paulo Palmeira, que dá continuidade ao legado iniciado por um dos pioneiros locais, mantendo o cuidado artesanal e o acompanhamento das diferentes etapas da produção. A ligação com o território também aparece na apresentação de sua Amburana Edição Especial, engarrafada em cerâmica, material que reforça visualmente a relação entre bebida, terra e origem. Em uma região brasileira ainda pouco lembrada quando se fala nos grandes territórios produtores de cachaça, a Palmeira ajuda a colocar o Tocantins nesse mapa, levando para a garrafa não apenas a produção das Serras Gerais, mas uma história familiar que amadureceu junto com o lugar.
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Chave Dourada
Um brinde para quem faz parte de uma história
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Frutado, macio e de frescor vibrante, o drink Chave Dourada chega à taça com uma luminosidade que antecipa seu lado mais solar, trazendo uma fruta viva no primeiro gole e uma textura delicadamente aveludada que aos poucos encontra um calor sutil no final. No centro desta receita está a Cachaça Dona Cris, uma cachaça de alambique bidestilada e envelhecida em Carvalho, de coloração dourada, notas amadeiradas e paladar suave. Para completar, o butiá acrescenta acidez e uma presença frutada muito brasileira, enquanto o Limão Taiti traz frescor e o gengibre deixa uma passagem quente e breve no paladar.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Dona Cris / Carvalho Bidestilada
10g de Geleia de Butiá
15ml de suco fresco de Limão Taiti
5ml de Xarope de Gengibre
Método: Batido
Guarnição: Fina casca de Limão Desidratado
Copo: Taça Fiori
Gelo: Somente no preparo
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo e bata vigorosamente para incorporar a geleia. Faça dupla coagem para uma taça previamente gelada e finalize com uma fina casca de limão taiti desidratado.
Cachaça destaque:
Carvalho / Bidestilada
Dona Cris - Master Distillery - Várzea Paulista/SP
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Fundada em 2017 por Sidenei Lopes, profissional com quase 30 anos de atuação no mercado de bebidas e passagens por empresas como Pernod Ricard e Campari, a Master Distillery começou sua trajetória em Jundiaí/SP com a produção de gin a granel e concentrados alcoólicos, crescendo até estabelecer sua atual sede em Várzea Paulista/SP. Ao lado de Sidenei estão sua esposa, Elisangela Cristina, e os filhos Danielle Lopes e Gabriel Lopes, formando a família por trás da destilaria. Foi justamente Elisangela, considerada peça-chave nas decisões e na própria fundação da empresa, quem inspirou a Cachaça Dona Cris, homenagem que transformou seu nome em um dos produtos da casa e escolheu para representá-la uma bebida profundamente ligada à cultura brasileira. Entre conhecimento técnico, trajetória profissional e participação familiar, a Dona Cris revela também um lado mais íntimo da Master Distillery: por trás da produção de destilados existe uma história construída em conjunto.
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Código de Honra
Firmeza, frescor e precisão em cada gole
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Claro, seco e de intenso frescor, o drink Código de Honra traz a sensação de ar limpo depois da chuva, com aromas verdes que chegam primeiro e uma leve mineralidade que atravessa o paladar. Na boca, começa vivo e vegetal, ganha uma acidez precisa e termina longo, refrescante e sem excessos. No centro desta receita está a Cachaça Homens de Honra Prata, uma expressão cristalina que preserva a presença da cana e encontra justamente na ausência da madeira espaço para mostrar seu caráter mais puro. Para completar, o pepino e o Chá Verde ampliam seu lado fresco e vegetal, enquanto o Limão Taiti dá vivacidade e a Água com Gás deixa o gole mais leve e prolongado.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Homens de Honra Prata
20ml de suco fresco de Pepino
15ml de Chá Verde concentrado (frio)
10ml de suco fresco de Limão Taiti
5ml de Xarope Simples
40ml de Água com Gás
Método: Batido e completado
Guarnição: Fita fina de Pepino e pequena folha de Sálvia
Copo: Longo
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione a cachaça, o pepino, o chá, o limão e o xarope em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Faça dupla coagem para um copo longo com gelo, complete com Água com Gás e finalize com uma fita de pepino e uma pequena folha de sálvia.
Cachaça destaque:
Prata
Homens de Honra - Região Serrana/RJ
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A Cachaça Homens de Honra construiu sua identidade em torno de valores como disciplina, respeito, lealdade e trabalho, princípios ligados também à passagem de seus idealizadores pela Marinha brasileira e traduzidos para uma produção artesanal conduzida na região serrana do Rio de Janeiro. Sob os cuidados de um mestre alambiqueiro com mais de quatro décadas de experiência, a marca desenvolveu um portfólio que parte da Prata e avança por diferentes trabalhos com madeira, incluindo Amburana e expressões de Carvalho com dois e quatro anos, além de edições especiais relacionadas à história naval. Mais do que uma escolha de linguagem para seus rótulos, a ideia de honra funciona como fio condutor de toda a marca, aproximando a cultura da cachaça de valores que seus criadores escolheram carregar de suas próprias trajetórias para dentro do alambique.
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Depois da Chuva
Sete madeiras, uma paisagem que muda a cada gole
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Profundo, aromático e de sabores quase imprevisíveis, o drink Depois da Chuva lembra o Cerrado quando a água finalmente encontra a terra quente e levanta do chão aromas que antes pareciam escondidos. Na boca, começa com uma percepção suavemente adocicada, atravessa um centro mais seco e tânico e termina entre ervas, madeira e um calor que permanece por bastante tempo. No centro desta receita está a Cachaça 7 Bandeiras, uma edição única de 400 garrafas numeradas e construída a partir de sete envelhecimentos separados em Carvalho Francês, Carvalho ex-Vinho do Porto, Carvalho Americano, Amburana, Bálsamo, Freijó e Jatobá, posteriormente reunidos em um blend definido por degustação. Para completar, o Chá Preto acrescenta estrutura e uma secura delicada, enquanto o xarope simples arredonda o conjunto sem interferir em seus aromas. A Pimenta-Rosa aparece principalmente no aroma, prolongando o lado temperado da cachaça sem acrescentar peso ao gole.
Ingredientes:
50ml de Cachaça 7 Bandeiras
15ml de Chá Preto concentrado (frio)
3 grãos de Pimenta-Rosa
15ml de xarope simples de Açúcar
Método: Mexido
Guarnição: Meia Laranja Desidratada e Pimenta-Rosa
Copo: Baixo
Gelo: Maciço
Preparo:
Pressione delicadamente três grãos de Pimenta-Rosa no mixing glass, apenas o suficiente para liberar seus aromas. Acrescente a cachaça, o chá preto, o xarope de açúcar e gelo, mexa até resfriar e coe delicadamente para um copo baixo com gelo. Finalize com meia laranja desidratada e grãos de Pimenta-Rosa sobre a superfície.
Cachaça destaque:
Blend de 7 madeiras
GV Destilaria - Martinho Campos/MG
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A Destilaria Gomes de Vasconcelos nasceu de uma ideia inicialmente pequena: produzir cachaça para consumo próprio e presentear amigos. O que começou com a implantação da infraestrutura em 2015 ganhou outra dimensão conforme a família percebeu que fazer uma bebida realmente cuidadosa exigiria estudo, investimento e profissionalização. Cursos, consultorias e diferentes formações foram incorporados ao projeto até o início efetivo da produção, reunindo Elson Gomes de Vasconcelos, Antonio Gomes de Vasconcelos e Edson Ambrosio Gomes de Vasconcelos em torno de uma destilaria cujo próprio nome homenageia as origens familiares. Da cana cultivada na propriedade ao engarrafamento, a GV mantém controle sobre todas as etapas e hoje produz cachaças e outras bebidas em Martinho Campos/MG, no Centro-Oeste mineiro. Inclusive, na noite em que este blend foi concluído, um tamanduá-bandeira apareceu diante do master blender e acabou dando nome à edição, cujos rótulos carregam sete animais guardiões do Cerrado.
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Dois Ramos
Madeiras e memórias atravessando gerações
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Frutado, macio e levemente tostado, o drink Dois Ramos traz a sensação de caminhar por entre pomares no fim da tarde, quando o frescor das frutas começa a se misturar aos aromas mais quentes da terra e da madeira. Na boca, a maçã aparece primeiro, seguida por um lado mais profundo e torrado, até chegar a um final seco e suavemente temperado. No centro desta receita está a Cachaça Engenho Fazenda Velha Blend 2 Madeiras, com 40% de graduação alcoólica e passagem por tonéis de Amburana e Carvalho, combinação que aproxima o calor aromático de uma madeira brasileira com a estrutura trazida pelo carvalho. Para completar, o Hojicha acrescenta notas tostadas, enquanto a rapadura traz um dulçor discreto ligado à própria origem da cachaça.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Engenho Fazenda Velha Blend 2 Madeiras
20ml de suco fresco de Maçã
10ml de Chá Hojicha concentrado (frio)
10ml de suco fresco de Limão Siciliano
10ml de Xarope de Rapadura
Método: Batido
Guarnição: Fatia fina de Maçã desidratada
Copo: Taça Nick Nora
Gelo: Somente no preparo
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Faça dupla coagem para uma taça previamente gelada e finalize com uma fina fatia de maçã desidratada.
Cachaça destaque:
Blend 2 Madeiras / Amburana e Carvalho
Engenho Fazenda Velha - Nova Odessa/SP
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A história do Engenho Fazenda Velha começa muito antes de sua instalação em Nova Odessa/SP. Em 1888, o italiano Giovanni Vincenzo Maria Polacchini desembarcou no Brasil trazendo consigo o conhecimento da produção de grappa e, já estabelecido em Brotas/SP, passou a aplicá-lo à destilação da cana-de-açúcar para consumo familiar. O ofício atravessou gerações, passando por seu filho Antônio Paschoal Polacchini até chegar ao neto Vicente Paulo Polacchini, que por volta de 1980 produziu seus primeiros lotes de cachaça em Americana/SP e chegou a construir um alambique às margens da Rodovia Anhanguera em 1982. Depois de um longo intervalo dedicado à indústria metalúrgica da família, o antigo projeto ganhou novo impulso com a aquisição de terras no bairro Fazenda Velha, em Nova Odessa/SP, reunindo Vicente e seus três filhos. Mais do que a retomada de um antigo projeto, o Engenho representa um conhecimento sobre destilação que atravessou países, cidades e gerações antes de finalmente encontrar seu lugar definitivo entre os canaviais paulistas.
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Manifesto
Um gole livre, entre raízes brasileiras e novos caminhos
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Vivo, frutado e de presença firme, o drink Manifesto começa com uma acidez luminosa, ganha corpo aos poucos e segue por um caminho mais seco, deixando no final uma combinação de fruta, madeira, especiarias e um leve amargor. É um gole que muda de direção sem perder o fio, trazendo frescor antes de revelar seus sabores mais profundos. No centro desta receita está a Cachaça Jeceaba Independente, uma edição especial criada para o Bicentenário da Independência do Brasil, envelhecida por quatro anos entre Jequitibá e Carvalho Americano de primeiro uso. Para completar, a Pitanga com Pimenta-Rosa traz acidez e um toque sutilmente temperado, o Vermouth Rosso acrescenta notas herbais, o Mel de Jataí suaviza as arestas com um dulçor discreto e o Bitter de Laranja prolonga o final com um leve amargor cítrico.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Jeceaba Independente
15ml de Vermouth Rosso
15ml de suco fresco de Pitanga com Pimenta Rosa
10ml de Mel de Jataí diluído em água (1:1)
1 dash de Bitter de Laranja
Método: Batido
Guarnição: Folha de Pitangueira
Copo: Baixo
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Faça dupla coagem para um copo baixo com gelo e finalize com ramo de folhas de pitangueira.
Cachaça destaque:
Jequitibá e Carvalho Americano / Edição Especial
Cachaça Jeceaba - Jeceaba/MG
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Nascida na Fazenda Bela Vista, em Jeceaba/MG, a Cachaça Jeceaba carrega o nome da própria cidade e mantém todas as etapas de sua produção sob os cuidados da família Dutra Sejas, trabalhando com cana própria e uma filosofia que combina controle rigoroso, sustentabilidade e experimentação. Fundada em 2003 por Roger Sejas, a cachaçaria preserva características da chamada Escola Caipira, entre elas a fermentação espontânea com pé-de-cuba e leveduras presentes no próprio bioma, ao mesmo tempo em que incorpora técnicas como a micro-oxigenação e explora diferentes madeiras e blends. A Jeceaba Independente levou esse espírito para uma edição de apenas 320 garrafas numeradas e conquistou Medalha de Ouro na categoria Safras Especiais do 12º Concurso Anual da Cachaça, realizado pela ExpoCachaça em 2023. Entre a tradição da fermentação caipira e a liberdade para investigar novos processos, a Jeceaba construiu em sua própria cidade uma produção que faz da experimentação uma continuação, e não uma ruptura, de suas raízes.
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Parede Fresca
Da terra vem o abrigo. Da cana, o frescor
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Claro, fresco e de amargor delicado, o drink Parede Fresca lembra aqueles interiores protegidos do calor, onde a temperatura muda assim que atravessamos a porta e o corpo imediatamente percebe o frescor do ambiente. Na boca, começa vivo e cítrico, encontra um amargor crescente no centro e segue mais floral e aromático, até terminar seco, com uma leve picância permanecendo no paladar. No centro desta receita está a Cachaça Engenho Nobre Cristal, produzida com leveduras selecionadas de origem nordestina e marcada por baixa acidez, sabor levemente adocicado e um final refrescante com suave picância. Para completar, o Campari acrescenta uma linha amarga e cítrica, o Sabugueiro traz perfume floral e o cardamomo prolonga aromaticamente o final sem retirar a nitidez da cachaça.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Engenho Nobre Cristal
10ml de Campari
10ml de suco de Limão Siciliano
7,5ml de Xarope de Sabugueiro
2 sementes de Cardamomo
Método: Batido
Guarnição: Meia Fatia de Laranja Desidratada
Copo: Taça Martini
Gelo: Somente no Preparo
Preparo:
Pressione delicadamente duas sementes de Cardamomo na coqueteleira, apenas para romper sua superfície e liberar os aromas. Acrescente a cachaça, o campari, o limão siciliano, o xarope de sabugueiro e gelo. Bata brevemente e faça dupla coagem para uma taça martini. Finalize com meia fatia de laranja desidratada.
Cachaça destaque:
Prata / Cristal
Engenho Nobre - Cruz do Espírito Santo/PB
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Fundado em 2017 por Murilo Coelho, em Cruz do Espírito Santo/PB, a cerca de 30 quilômetros de João Pessoa, o Engenho Nobre nasceu conciliando produção de cachaça e uma maneira pouco convencional de pensar o próprio espaço onde ela seria feita. Primeiro alambique da Paraíba construído a partir de princípios de bioconstrução, utiliza telhas ecológicas e paredes de solo-cimento com cerca de 45 centímetros de espessura, solução que favorece o isolamento térmico necessário ao armazenamento e à maturação das bebidas. Essa atenção ao ambiente acompanha uma produção comprometida com práticas sustentáveis e se estende a um portfólio que trabalha tanto cachaças brancas quanto envelhecidas e blends de diferentes madeiras. Entre suas expressões, a Nobre Cristal conquistou medalha de Prata em 2017 e Ouro em 2025 no Concurso Mundial de Bruxelas, etapa Brasil, além de figurar entre as cachaças brancas reconhecidas pelo Ranking da Cúpula da Cachaça.
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Quinto Ato
Cinco madeiras constroem a cena. O Porto escreve o desfecho
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Profundo, sedoso e de presença contemplativa, o drink Quinto Ato parece diminuir o ritmo ao redor da taça. Começa com um dulçor discreto, atravessa notas de frutas maduras, ervas, tostados e termina longo, entre um amargor fino e a lembrança vínica que permanece no paladar. No centro desta receita está a Cachaça Unna Porto, um blend Extra Premium de cinco madeiras que reúne Carvalho Americano, Carvalho Francês, Amburana, Eucalipto e Sassafrás, antes de receber uma longa finalização em barris que envelheceram Vinho do Porto. Para completar, o Amaro prolonga seu lado herbal e amargo, uma pequena dose de Licor de Café toca os tostados e o Bitter de Cranberry, como já é de se esperar, acrescenta um ponto de fruta escura.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Unna Porto
10ml de Amaro
5ml de Licor de Café
2 dashes de Bitter de Cranberry
Método: Mexido
Guarnição: Casca de Laranja
Copo: Nick & Nora
Gelo: Somente no preparo
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em um mixing glass com gelo e mexa até resfriar. Coe para uma taça Nick & Nora previamente gelada e expresse uma pequena casca de laranja sobre a bebida.
Cachaça destaque:
Unna Porto / 5 Madeiras
Meia Lua Destilaria - Salinas/MG
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A história da Meia Lua Destilaria atravessa gerações em Salinas/MG e remonta a 1950, quando Deli Alves Rocha adquiriu a Fazenda Jacurutu e iniciou uma pequena produção de cachaça e rapadura. O conhecimento passou pela família, ganhou novos caminhos com João Fernandes e levou Ailton Fernandes a fundar oficialmente a Cachaça Meia Lua em 1988, consolidando rótulos que alcançaram reconhecimento nacional. Em 2019, a chegada de novos empresários abriu uma nova fase, ampliando o portfólio e dando origem a projetos mais experimentais, entre eles a linha Unna. É desse movimento que surge a Unna Porto, cuja construção combina cinco madeiras, diferentes níveis de tosta e uma etapa adicional de dois anos em barris anteriormente utilizados para Vinho do Porto. Eleita Melhor Blend do Brasil pela Cúpula da Cachaça em 2026, a Unna Porto traduz um percurso iniciado há mais de sete décadas em Salinas e mostra até onde uma história profundamente ligada à cachaça pode chegar.
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Roda de Domingo
Quando a conversa demora e o copo acompanha
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Fresco, aromático e de doçura delicada, o drink Roda de Domingo carrega a atmosfera daqueles encontros que começam sem hora marcada e acabam virando história. A Tangerina chega luminosa e perfumada, seguida pela suavidade floral da Camomila e por um dulçor discreto, antes de um final fresco e aromático tomar conta do gole. A Cachaça Vira Copos Prata, envelhecida por um ano em Jequitibá, sustenta essa leveza sem perder sua presença, enquanto o Mel de Jataí acrescenta uma assinatura sutil ao conjunto. Uma criação inspirada na própria origem da Vira Copos, nascida entre amigos, cachaça e boas conversas ao redor da fazenda.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Vira Copos Prata / Jequitibá
1 Tangerina
15ml de Chá de Camomila concentrado (frio)
15ml de Mel de Jataí diluído em água (1:1)
Método: Batido
Guarnição: Bulbos de Camomila e Ramo de Hortelã
Copo: Taça Balão
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione a cachaça, a tangerina (macerada), o chá de camomila e o mel de jataí em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Coe para uma taça com gelo e finalize com bulbos de camomila e ramo de hortelã.
Cachaça destaque:
Jequitibá / 1 ano
Cachaça Vira Copos - Rio Manso/MG
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Nascida das confraternizações que Desiderio Castro Filho promovia com amigos em sua fazenda, em Rio Manso/MG, a Cachaça Vira Copos transformou o espírito desses encontros em uma produção artesanal conduzida desde 2008. Produzida por Desiderio e Cristiano Calabresi Castro, a cana é cultivada na própria fazenda, colhida manualmente sem queimadas e segue por um processo cuidadoso de fermentação natural e destilação em alambique de cobre, aproveitando somente o coração do destilado. Ao longo de sua trajetória, a marca acumulou importantes reconhecimentos nacionais e internacionais, incluindo Medalhas de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas em 2017 e 2018, além de sucessivas medalhas em concursos brasileiros entre 2022 e 2025.
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Segredo de Minas
Entre aromas, madeira e um segredo bem guardado
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Macio, profundo e de calor acolhedor, o drink Segredo de Minas lembra aquelas tardes que se estendem sem pressa, quando a conversa cresce ao redor da mesa e os aromas permanecem no ar por mais tempo. Na boca, começa suavemente adocicado, ganha contornos herbais e tostados e termina mais seco, deixando um leve amargor no paladar. No centro desta receita, está a Cachaça Metida à Mineira Extra Premium, que por ser envelhecida por pelo menos três anos em Carvalho Americano, confere textura macia, aromas expressivos e um final prolongado, além de um toque secreto que a cachaçaria reserva ao processo. Para completar, o Vermouth Rosso traz ervas e especiarias, enquanto o melado de cana e o Bitter de Cacau aprofundam os sabores sem esconder o destilado.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Metida à Mineira Extra Premium
15ml de Vermouth Rosso
5ml de Melado de Cana diluído em água (1:1)
2 dashes de Bitter de Cacau
Método: Mexido
Guarnição: Castanha Caramelizada
Copo: Baixo
Gelo: Maciço
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em um mixing glass com gelo e mexa até resfriar. Coe para um copo baixo com gelo maciço e finalize com uma castanha caramelizada.
Cachaça destaque:
Carvalho Americano / Extra Premium
Metida à Mineira - Passa Vinte/MG
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Nascida em 2020, em Passa Vinte/MG, a Cachaça Metida à Mineira carrega no próprio nome uma maneira bem-humorada de assumir suas raízes e aproximar a cachaça da cultura dos encontros, das conversas e dos sabores de Minas Gerais. Sua produção artesanal começa com a cana colhida no ponto de maturação e segue pela moagem, fermentação natural e destilação em alambique de cobre, com a separação das frações e o aproveitamento apenas do coração do destilado. E além da Extra Premium, a cachaçaria produz sua versão Prata (descansada por no mínimo um ano em aço inox) e ampliou sua presença com outros produtos, entre eles caipirinha em lata e kits. Jovem em trajetória e assumidamente ligada ao território que representa, a Metida à Mineira encontra na produção artesanal, no tempo e em uma boa dose de irreverência uma maneira própria de levar Passa Vinte para além das montanhas mineiras.
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Sol de Caiana
Frescor de cana sob uma luz cítrica
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Claro, vibrante e muito fresco, o drink Sol de Caiana carrega a sensação dos dias luminosos, quando frutas, folhas e o frescor da paisagem parecem ganhar mais cor e perfume. O primeiro gole traz uma acidez cítrica viva, seguida por um lado verde e aromático, enquanto pequenas borbulhas percorrem o paladar e conduzem a um final limpo e perfumado. No centro está a Cachaça Hartmann Prata, produzida com cana caiana selecionada e escolhida por preservar a expressão fresca e natural da cana. O Limoncello Hartmann prolonga as notas cítricas, o Limão Siciliano acrescenta vivacidade, o manjericão traz seu perfume herbal e a água com gás deixa o conjunto leve sem apagar a cachaça.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Hartmann Prata
25ml de Limoncello Hartmann
Ramo de Manjericão (macerado)
7,5ml de suco de Limão Siciliano
40ml de Água com Gás
Método: Batido e completado
Guarnição: Folhas de manjericão fresco
Copo: Longo
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione a cachaça, o limoncello, o suco e o manjericão em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Faça dupla coagem para um copo longo com gelo, complete com água com gás e mexa delicadamente. Finalize com folhas de manjericão.
Cachaça destaque:
Prata / Cana Caiana
Cachaçaria Hartmann - Pareci Novo/RS
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Nascida em 2020 de uma história familiar ligada à paixão pela produção artesanal, a Cachaçaria Hartmann, de Pareci Novo/RS, trabalha em pequenos lotes e construiu uma linha que vai das cachaças de alambique a licores produzidos com frutas naturais e cremes. Entre seus rótulos está a Hartmann Prata, elaborada com cana caiana selecionada, cristalina, com 40% de graduação alcoólica e um perfil leve, fresco e perfumado, que preserva os aromas naturais da cana. A qualidade do destilado já conquistou Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas e Medalha de Prata no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil, reconhecimentos que ajudam a colocar uma cachaçaria ainda jovem em diálogo com produtores premiados do segmento e mostram como tradição artesanal e uma trajetória recente podem ocupar o mesmo cenário.
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Sonho Guardado
Algumas lembranças esperam o tempo certo para florescer
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Delicado, luminoso e de perfume acolhedor, o drink Sonho Guardado lembra o instante em que uma memória antiga retorna de repente, trazendo consigo aromas, lugares e afetos que pareciam adormecidos. Na boca, começa fresco e levemente frutado, ganha suavidade floral e segue macio até um final delicadamente adocicado, perfumado e refrescante. No centro desta receita está a Cachaça Divina d’Minas Amburana, que repousa primeiro por quatro meses em inox e depois passa três meses em barris novos de Amburana, adquirindo coloração dourada, textura aveludada e notas de baunilha, canela e mel. Para completar, a Acerola traz vivacidade, a Camomila acrescenta um toque floral, o Limão Siciliano reforça o frescor, o Mel de Bracatinga prolonga sua maciez e um toque de Água Tônica conduz o conjunto a um final mais leve e refrescante.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Divina d’Minas Amburana
8 Acerolas frescas (maceradas)
15ml de xarope de Camomila concentrado (frio)
7,5ml de suco de Limão Siciliano
5ml de Mel de Bracatinga diluído em água (1:1)
Taping de Água Tônica
Método: Batido e completado
Guarnição: Ramo folhas de Acerola
Copo: Taça Balão
Gelo: Cubos
Preparo:
Adicione todos os ingredientes (menos a água tônica) em uma coqueteleira com gelo e bata brevemente. Faça dupla coagem para uma taça com gelo, complete com um taping de água tônica e finalize com um ramo de folhas de acerola.
Cachaça destaque:
Amburana
Divina d’Minas - Senhora das Dores, Barbacena/MG
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A história da Cachaça Divina d’Minas nasceu de um sonho familiar iniciado em 2007, quando os professores aposentados Juscelino Mozart e Gracíola Caldeira adquiriram o Sítio Santa Anastácia, na zona rural de Senhora das Dores, distrito de Barbacena/MG, onde encontraram um pequeno alambique de cobre e decidiram reativá-lo. A primeira produção, em 2008, era destinada à família e às rodas de amigos, mas a morte de Juscelino, em 2009, interrompeu aquele caminho e deixou no filho, Emerson Caldeira Resende, o desejo de algum dia retomá-lo. Em 2017, depois de anos vivendo em São Paulo, Emerson decidiu voltar para Minas, aproximar-se da mãe e transformar a lembrança do pai em um novo projeto. O pequeno espaço de cerca de 24 metros quadrados deu lugar a uma destilaria com aproximadamente 400 metros quadrados, capacidade de produção de até 30 mil litros por ano e atenção especial ao envelhecimento em diferentes madeiras. Com a sustentabilidade também entre seus pilares, a Divina d’Minas transformou uma produção feita para encontros de família em uma maneira de preservar memória, território e, sobretudo, um sonho que permaneceu guardado até encontrar o momento certo para continuar.
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Tempo de Pedra
O tempo passa. Algumas coisas permanecem
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Profundo, austero e surpreendentemente delicado, o drink Tempo de Pedra parece carregar um silêncio próprio, daqueles que antecedem um gole importante. Começa macio e frutado, ganha uma sensação mais seca e terrosa no meio do caminho e termina quente, longo e aromático, deixando a madeira permanecer no paladar. No centro desta receita está a Cachaça Havana, produzida na Fazenda Havana, em Salinas/MG, com 47% de graduação alcoólica e cerca de 12 anos de envelhecimento em antigas dornas de Bálsamo, um longo repouso que define grande parte de sua assinatura. Para completar, a Uva Vitória acrescenta dulçor e suculência, a Camellia Sinensis traz secura, o Limão Siciliano reforça o frescor e o Mel de Uruçu-amarela arredonda o gole sem retirar sua força.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Havana Bálsamo
12 Uvas Vitória (macerada)
25ml de Chá Camellia Sinensis concentrado (frio)
7,5ml de suco de Limão Siciliano
10ml de Mel de Uruçu-amarela
Método: Batido
Guarnição: Cacho de Uva Vitória
Copo: Longo
Gelo: Cubos
Preparo:
Em uma coqueteleira, macere as uvas, adicione gelo e os demais ingredientes. Bata brevemente, faça uma dupla coagem para um copo longo com gelo e finalize com um pequeno cacho de uva vitória.
Cachaça destaque:
Bálsamo / 12 anos
Cachaça Havana - Fazenda Havana - Salinas/MG
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Produzida desde o início da década de 1940 por Anísio Santiago (1912–2002), na Fazenda Havana, aos pés da Serra dos Bois, em Salinas/MG, a Cachaça Havana construiu uma trajetória singular a partir de uma produção pequena e de um método que a família preserva até hoje. A destilação acontece lentamente em um pequeno alambique de cobre do tipo tromba de elefante, com separação cuidadosa entre cabeça, coração e cauda, e a produção anual permanece em torno de 10 mil litros. Garrafa âmbar, rótulo tradicional, simplicidade e uma relação quase inseparável entre criador e criação ajudaram a transformar a Havana em um dos nomes históricos da cachaça brasileira. O reconhecimento atravessou gerações e, em 2022, Havana/Anísio Santiago foi eleita a melhor cachaça do Brasil no 5º Ranking da Cúpula da Cachaça. Mais de oitenta anos depois dos primeiros lotes, talvez sua maior singularidade esteja justamente no que não precisou ser reinventado: a família mantém vivo o legado de Anísio Santiago e continua levando, de Salinas para o mundo, uma cachaça cuja essência faz parte da própria história do destilado brasileiro.
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Terceira Passagem
Uma nova memória que atravessa a madeira
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Sedoso, frutado e delicadamente temperado, o drink Terceira Passagem chega à taça com frescor e uma presença sutil de frutas vermelhas, que aos poucos dá lugar a notas florais, herbais e a um dulçor macio. O primeiro gole é vivo, mas logo ganha corpo e permanece mais longo na boca, deixando no final um traço cítrico e suavemente amargo. É nesse percurso que a Cachaça Harmonie Schnaps Acácia Francesa mostra sua importância: as frutas secas, as especiarias suaves e a textura aveludada presentes no terceiro lote encontram harmonia com o chá de Frutas Vermelhas e no Mel de Bracatinga, enquanto o Vermouth Rosé faz uma referência discreta aos barris que anteriormente envelheceram vinho tinto licoroso. Para completar, o Limão Siciliano traz luminosidade e o bitter de laranja prolonga o final sem tirar a cachaça do centro da receita.
Ingredientes:
50ml de Cachaça Harmonie Schnaps Acácia Francesa, 3º lote
15ml de Vermouth Rosé
10ml de chá concentrado de Frutas Vermelhas (frio)
7,5ml de suco de Limão Siciliano
5ml de Mel de Bracatinga diluído em água (1:1)
1 dash de Bitter de Laranja
Método: Batido
Guarnição: Amora fresca e folha de amoreira
Copo: Taça Coupe
Gelo: Somente no preparo
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em uma coqueteleira com bastante gelo e bata brevemente para integrar os ingredientes. Faça dupla coagem para uma taça coupe previamente gelada e finalize com uma amora fresca acompanhada de uma pequena folha de amoreira.
Cachaça destaque:
Premium Acácia Francesa / 3º lote
Cachaçaria Harmonie Schnaps - Harmonia/RS
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Com mais de quatro décadas de história familiar, a Cachaçaria Harmonie Schnaps, de Harmonia/RS, construiu sua trajetória a partir da produção artesanal e do pioneirismo em sua região, mantendo a experimentação como parte desse caminho. Entre suas criações está a Cachaça Acácia Francesa, projeto pouco comum no Brasil que utiliza uma madeira tradicionalmente empregada na Europa no amadurecimento de vinhos brancos finos. Em seu terceiro lote, produzido em edição limitada de 3.000 garrafas numeradas, a cachaça ganhou a incorporação de três barris anteriormente utilizados para envelhecer vinho tinto licoroso, passagem que acrescentou frutas secas, notas florais, especiarias suaves, textura sedosa e leve dulçor natural ao destilado. Uma criação que além de revelar a inquietude de uma cachaçaria disposta a investigar novos caminhos para o envelhecimento, coloca a Harmonie Schnaps entre os produtores que ajudam a ampliar as possibilidades sensoriais da cachaça brasileira.
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Três Tempos
Três madeiras, cinco anos e um gole que muda de direção
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Encorpado, aromático e de textura aveludada, o drink Três Tempos começa com o perfume da laranja, avança por um caminho herbal e termina entre cacau, caramelo e um delicado tostado. É uma criação que parece mudar de expressão durante o gole, como as três madeiras que inspiraram seu nome. A Cachaça do Branco 3 Madeiras conduz esse percurso com seus cinco anos entre carvalho, jequitibá e amburana, trazendo naturalmente notas de baunilha, coco e caramelo. O Vermouth Rosso amplia o lado herbal e acrescenta notas de especiarias, o Xarope de Cacau traz profundidade e o Bitter de Laranja cria um contraponto cítrico que mantém o conjunto vivo.
Ingredientes:
50ml de Cachaça do Branco 3 Madeiras
15ml de Vermouth Rosso
7,5ml de Xarope de Cacau
2 dashes de Bitter de Laranja
Método: Mexido
Guarnição: Fatia de Laranja Desidratada
Copo: Taça Nick & Nora
Gelo: Somente no preparo
Preparo:
Adicione todos os ingredientes em um mixing glass com gelo e mexa até resfriar. Coe para uma taça e finalize com uma fatia de laranja desidratada.
Cachaça destaque:
3 Madeiras / Carvalho, Jequitibá e Amburana
Cachaça do Branco - Minas Gerais
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Nascida em Uberlândia, no coração de Minas Gerais, a Cachaça do Branco tem na produção artesanal e no trabalho do mestre cachaceiro Derson “Branco” os fundamentos de sua história, acompanhando o processo desde o cultivo da cana até a destilação em alambique de cobre e produzindo cachaças livres de aditivos químicos. Entre seus queridos blends está a 3 Madeiras, uma cachaça de 43% de graduação alcoólica que passa cinco anos em barris de Carvalho, Jequitibá e Amburana, combinação que imprime aromas e sabores de baunilha, coco e caramelo ao destilado. Uma criação que transforma três diferentes expressões da madeira em uma só cachaça e revela como o tempo, quando conduzido por diferentes barris, pode ampliar o repertório de sabores da produção artesanal mineira.
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Depois de tantas combinações, uma coisa fica evidente: talvez seja impossível falar sobre Cachaça brasileira como se estivéssemos diante de uma bebida de expressão única. Mudam a cana, o território, o clima, a fermentação, o alambique, as madeiras e o tempo. E foi justamente essa diversidade que conduziu nossas criações. Em certos momentos, ousar foi aproximar sabores inesperados; em outros, fazer menos foi a escolha mais interessante. Porque quando a Cachaça ocupa o centro da receita, cada ingrediente pode revelar algo que já estava dentro da garrafa, esperando apenas outra maneira de ser percebido.
Até a próxima e lembre-se... Aprecie sempre com moderação!
Créditos de Conteúdo e Fotografia:
Conheça mais sobre as marcas apresentadas:
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Cachaça Divina Cana
Estância Moretti
Cachaça Guaraciaba
Cachaça Mangueira
"A Revista Nós e outros Olhos ressalta que beber também é um exercício de consciência. Aprecie cada gole com responsabilidade, valorizando os aromas, os sabores e a experiência, sempre com moderação e respeito aos seus próprios limites."





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